A minha consciência tem milhares de vozes, / E cada voz traz-me milhares de histórias, / E de cada história sou o vilão condenado. - William Shakespeare
domingo, 31 de outubro de 2010
você é feito de muitos setembros.
flores por todos os lados, floreios nos sorrisos.
nos traços feitos arabescos intrincados e retundantes.
em janeiro eu me perdi.
eu não sei como você estava.
abril se mostrou generoso.
novembro quis imita-lo e então nós nos perdemos.
generosos e perdidos, nunca importa o motivo.
só como se chegou lá.
só em maio que eu deduzi
como tudo poderia ser cor de rosa.
ou talvez um verde clarinho, da cor do querer.
foi ficando e querendo em outubro.
me assombrando, me bem-dizendo, me cercando.
eu também te cerquei. eu gostei disso.
junho e julho se confundem.
me confundem. te implicam.
e de vez em quando nos trazem anseios. ou nostalgia.
mas você é feito de dezembro demais também.
robusto, justo, caloroso. faz suar só de lembrar.
geralmente eu não gosto de suar. mas as vezes.
só as vezes, pode ser divertido. cheio de meio-sorrisos.
março me conta histórias.
misteriosas e coloridas. nem sempre bonitas.
nunca com final feliz.
agosto tem folhas demais.
pesadelos demais.
mas tudo o que é demais, bem eu não sei.
eu sou uma pessoa com muitos demais.
mas você já sabe disso.
mas fevereiro.
bem, fevereiro é todo você.
anacrônico. analítico. antítese.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Esse ar quadrado em volta da sua cabeça.
lacerando, mentindo, gritando, massacrando, repelindo.
cansada de tempos verbas indistintos. Eu guardei as minhas reticências.
No final os mesmos esmeros, os que sempre me calcinam.
Cansada de tentar sentir sem sofrer. Queria poder esquecer que um não existe sem o outro.
A respiração latejante não deixa esquecer o que já passou. E por que deveria?
Já não sinto nada agora, só o ar me comprimindo.
lacerando, mentindo, gritando, massacrando, repelindo.
cansada de tempos verbas indistintos. Eu guardei as minhas reticências.
No final os mesmos esmeros, os que sempre me calcinam.
Cansada de tentar sentir sem sofrer. Queria poder esquecer que um não existe sem o outro.
A respiração latejante não deixa esquecer o que já passou. E por que deveria?
Já não sinto nada agora, só o ar me comprimindo.
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